terça-feira, 15 de maio de 2012

"Se não sabes, aprende; se já sabes, ensina" Confucio

Um pensamento filosófico de Confúcio, que viveu há mais de 2.500 anos: contraponto à presunção, ao egoísmo e à competição sem limite que caracterizam uma parte significativa da sociedade contemporânea.

domingo, 13 de maio de 2012

Hoje é a final da taça de futebol feminino no Jamor

Daqui a cerca de uma hora, inicia-se no Jamor a final da taça de futebol feminino entre o 1º de Dezembro de Sintra e o Clube de Albergaria-a-Velha. A equipa do 1.º de Dezembro é a clara favorita sendo que mantém a invencibilidade há 130 jogos! Mas o Clube de Albergaria (treinado por uma mulher), já demonstrou que tem uma enorme determinação e empenho e que está muito motivada para contrariar esse favoritismo. A RTP2 vai transmitir o encontro e o meu coração vai bater mais forte pela equipa de Albergaria!

sábado, 12 de maio de 2012

Armando Vara - Futuro presidente da Cimpor?

Com os bons conhecimentos de robalos, eu a pensar vê-lo à frente de uma empresa do sector das pescas e afinal parece que vai presidir à Cimpor! É o problema deste País: não se aproveitam os talentos de cada um!

Economia portuguesa: e depois da crise?

Não é uma nova versão do "e depois do adeus" que Paulo de Carvalho levou à Eurovisão em 1974. É uma constatação económica. As maiores empresas portuguesas, incluindo as que ainda têm capitais públicos e que são estruturantes para a economia do País, estão a ser vendidas, não por uma opção política ou de gestão, mas porque os seus actuais detentores do capital estão em asfixia financeira. CGD, demais Banca e Fundos de Pensões, por absoluta necessidade, estão a desfazer-se das posições em grandes empresas, vendendo-as a preços de saldo. Do lado comprador, aparecem brasileiros, árabes chineses, angolanos, etç. Isabel dos Santos que já tinha uma posição importantíssima em vários bancos e na Galp, também comprou agora 15% da ZON. A Cimpor está sob uma OPA de capital brasileiro. EDP, EDPR e REN foram parar aos chineses e a última também a arábes. E a procissão ainda vai no adro. No final, a macro estrutura produtiva em Portugal, terá todos os centros de decisão estrangeiros e com capital português, teremos as micro, as pequenas e as médias empresas. Serão estas que mais marcarão o desenvolvimento futuro da economia portuguesa e a criação de emprego. Mas é curto.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sony - outro gigante em dificuldades

Os prejuízos da Sony aumentaram 75% no último ano. No ano fiscal que terminou em março as perdas dispararam para os 4.423 milhões de euros.

Chineses e a EDP: não pagamos, não pagamos!

Os chineses gastronomicamente comem tudo, mas nos negócios não comem gato por lebre. A Three Gorges está a condicionar o pagamento dos 2,7 mil milhões de euros, relativos à compra de 21,35% do capital da EDP, à prévia clarificação oficial do Governo português das rendas ao sector energético. Faz todo o sentido essa alteração das rendas, mas devia ter sido feita antes da privatização.

Isaltino escapa à condenação por corrupção

In "O Sol":
"O autarca Isaltino Morais já escapou à condenação pelo crime de corrupção no processo das contas na Suíça, mesmo tendo ficado provada a sua culpa. O processo relativo a este crime já foi arquivado e o Ministério Público não pode fazer nova acusação pois os factos já prescreveram, diz o “Sol”.

Em Julho de 2010, o Tribunal da Relação de Lisboa tinha confirmado a condenação do autarca decretada pelo Tribunal de Oeiras, mas anulou a parte relativa ao crime de corrupção, invocando uma irregularidade processual. Na altura, a Relação ordenou a repetição dessa parte do julgamento. Em causa está o favorecimento de um empreiteiro a troco de dinheiro (quatro mil contos), em 1996.

Essa repetição aconteceu na quinta-feira da semana passada no Tribunal de Oeiras de onde Isaltino Morais saiu, em 2009, condenado a sete anos de prisão por corrupção passiva, fraude fiscal, abuso de poder e branqueamento de capitais. Pena mais tarde reduzida a dois anos.

Isaltino Morais recusou-se porém a ser julgado por novo crime de corrupção e por isso mesmo o tribunal fica impedido, por lei, de o fazer. Agora apenas o Ministério Público o poderia fazer mas, segundo o semanário “Sol”, o crime já prescreveu no ano passado."

terça-feira, 8 de maio de 2012

Convívio antigos alunos Escola Industrial Ovar

Cimpor - facetas de uma OPA, no País dos saldos

A Cimpor é um dos casos de maior sucesso na internacionalização de uma grande empresa portuguesa com actividade relevante em Espanha, Cabo Verde, Brasil, Egipto, Turquia, Tunísia, Marrocos, África do Sul, Moçambique, China e Índia. Infelizmente, há muito que o centro de decisão deixou de ser português pois os maiores accionistas, são ambos brasileiros: Camargo Corrêa e Votorantim. A primeira lançou uma OPA (Oferta Pública de Compra) à Cimpor, ao preço de 5,50€ por acção e a segunda diz que não aceita a proposta. A portuguesa Semapa tentou reagir, mas a CGD e o Fundo de Pensões do BCP informaram que já decidiram vender na OPA. O PS pela voz do deputado e ex-presidente da AICEP, Basílio Horta, contestou a decisão da CGD e na minha opinião, com fundadas razões. Mandou a necessidade, mais que a oportunidade, pois ainda há menos de dois anos, a CGD recusou vender numa OPA à Cimpor de valor bem superior. A administração da Cimpor, sem se comprometer excessivamente, sempre disse que entende que o valor é baixo e não reflecte o real valor da Cimpor nem um prémio de controlo. A Camargo Corrêa, está agora a tentar negociar permutas de fábricas no exterior, com a Votorantim e esta a fazer "render o peixe" até alcançar os seus objectivos. Nesta conjuntura económica de falta de liquidez, o mercado bolsista lisboeta, ao estabilizar a cotação no valor da OPA, evidencia que já não acredita em grandes alterações. A CMVM (Comissão de Mercados de Valores Mobiliários), que como regulador tem uma palavra decisiva vai seguramente estar atenta aos contornos da proposta e aos termos da permuta. Mas tudo estará já quase decidido e o futuro da Cimpor (que de portuguesa já tinha pouco), no final desta OPA, não terá quase nada e não passará de uma "filial" da Camargo Corrêa. É que, o que realmente está em disputa, é o mercado brasileiro, principal, mais lucrativo e dinâmico activo da Cimpor e ainda uma bem sucedida internacionalização sobretudo na Ásia e na África, em países com um potencial de crescimento elevado.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

11º convivio dos antigos alunos da Escola Industrial de Ovar

Será já no próximo dia 2 de Junho, na Quinta Jusã em Valega, que se realizará o 11º convivio dos antigos alunos da Escola Industrial de Ovar.
Os colegas organizadores, Ana Paula, Jacinto Rocha e ZÉ Pereira, agradecem a divulgação do evento.
O almoço buffett inicia-se cerca das 12h30 e o preço é de 20€ por pessoa. A organização garante que o mesmo será do género dos anteriores mas ainda mais recheado e com melhor atendimento...

As inscrições deverão ser feitas impeterivelmente, até ao dia 25 de Maio com pagamento prévio para os seguintes contactos:

geral@quintajusa.com ; 256 382 686 ; 917 642 697 (ou no próprio local)

apam52@hotmail.com ; 963 957 954
Ana Paula Marques
Rua Camilo Castelo Branco nº 79 r/c Esq.
3880-096 Ovar

Divulga a iniciativa e participa também!

domingo, 6 de maio de 2012

Euro em queda acentuada

A pré-abertura do mercado em Tóquio, está já a acentuar a queda do euro contra o dólar e contra o iéne. Vem aí um dia movimentado...

Eleições na Grécia e França

Os resultados das eleições na Grécia e França, vão constituir um importante teste ao futuro do euro e da própria união europeia. O euro começa já a dar conta do nervosismo e neste momento está a desvalorizar-se face às principais moedas. Amanhã veremos como reagem os outros mercados. Nunca o risco do fim da União Europeia e do Euro foi tão real e tão intenso!

sábado, 5 de maio de 2012

Camarate – A confissão do atentado

Tenho consciência que os posts publicados sobre o caso Camarate foram muito extensos e inadequados a este canal de comunicação. Mas a confissão de Fernando Farinha Simões parece-me de uma importância enorme. A história do Portugal contemporâneo necessita do esclarecimento da verdade. As famílias enlutadas merecem-no. Há acusações e afirmações de tal forma graves nesta confissão que não podem deixar de ser esclarecidas. São os próprios pilares da jovem democracia portuguesa que podem estar assentes em areias movediças. Mesmo com os crimes prescritos há esclarecimentos que terão que ser feitos. Pelo menos, assim o espero.

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 8 (última)

Continuação...

"Estou na prisão com o Victor Pereira, que aí também estava preso.
Sei, em 1986, que estavam a preparar para me eliminar na prisão, pelo que peço à minha mulher Elza, para ir falar, logo que possível com Frank Carlucci.
Em consequência disso recebo na prisão a visita de um agente da CIA, chamado Carlston, juntamente com outro americano.
Estes, depois de terem corrompido a direcção da prisão, incluindo o director, sub-director e chefe da guarda, bem como um elemento que se reformou muito recentemente, da Direcção Geral dos serviços Prisionais, chamada Maria José de Matos, conseguem a minha fuga da prisão.
Contribui ainda para esta minha fuga, mediante o recebimento de uma verba elevada, paga pelos referidos agentes americanos esta directora-adjunta da Direcção Geral dos Serviços Prisionais.
Estes agentes americanos obtêm depois um helicóptero, que me transporta para a Lousã, onde fico cerca de 20 dias.
Vou depois para Madrid, com a ajuda dos americanos, e depois daí para o Brasil.
As despesas com a minha fuga da prisão custaram € 25.000 Euros, o que na época era uma quantia elevada.
Só mais tarde no Brasil, depois de 1986, é que referi a José Esteves que sabia que Sá Carneiro ia no avião, contando-lhe a história toda.
José esteves, responde então, que nesse caso, tínhamos corrido um grande risco.
Eu tranquilizei-o, referindo que sempre o apoiei e protegi neste atentado.
Dei-lhe apoio no Brasil no que pude.
Assegurei-lhe também o transporte para o Brasil, obtendo-lhe um passaporte no Governo Civil de Lisboa, entreguei-lhe 750 contos que me foram dados para esse efeito pela embaixada dos EUA, em Lisboa, e arranjei-lhe o bilhete de avião de Madrid para o Rio de Janeiro .
Na viagem de Lisboa para Madrid, José Esteves foi levado por Victor Moura, um amigo comum.
No Rio de Janeiro ajudei-o a montar uma loja, numa roulote.
Como trabalhava ainda para a embaixada dos EUA, em Lisboa, estas despesas foram suportadas pela Embaixada.
Ficou no Brasil cerca de dois anos.
Eu, contudo andava constantemente em viagem.
José Esteves recebe depois um telefonema de Francisco Pessoa de Portugal, onde Francisco Pessoa o aconselha a voltar a Portugal, e a pedir protecção, a troco de ir depor na Comissão de Inquerito Parlamentar sobre Camarate.
Esse telefonema foi gravado, mas José Esteves nunca chegou a obter uma protecção formal.
Telefono a Frank Carlucci, em 1987, pedindo-lhe para falar com ele pessoalmente.
Ele aceita, pelo que viajo do Brasil, via Miami, para Washington.
Pergunto-lhe então, em face do que se tinha falado de Camarate, qual seria a minha situação, se corria perigo por causa de Camarate, e se continuarei, ou não a trabalhar para a CIA.
Frank Carlucci responde-me que sim, que continuarei a trabalhar para a CIA, tendo efectivamente continuado a ser pago pela CIA até 1989.
Frank Carlucci confirma nessa reunião que puderam contar com a colaboração de Penaguião na operação de Camarate, e que ele, Frank Carlucci, esteve a par dessa participação.
Em 1994, foi-me novamente montada uma armadilha em Portugal, por agentes da DEA que não gostavam de mim, por causa da referida prisão de agentes seus, denunciados por mim.
Nesta armadilha participam também três agentes da DCITE - Portuguesa, os hoje Inspectores Tomé, Sintra e Teófilo Santiago.
Depois desta detenção, recebo a visita na prisão de Caxias de dois procuradores do Ministério Público, um deles, se não estou em erro, chamado Femando Ventura, enviados por Cunha Rodrigues, então Procurador Geral da República.
Estes procuradores referem-me que me podem ajudar no processo de droga de que sou acusado, desde que eu me mantenha calado sobre o caso Camarate.
Por ser verdade. e por entender que chegou o momento de contar todo o meu envolvimento na operação de Camarate, em 4 de Dezembro de 1980, decidi realizar a presente Declaração, por livre vontade.
Não podendo já alterar a minha participação nesta operação, que na altura estava longe de poder imaginar as trágicas consequências que teria para os familiares das vítimas e para o País, pude agora, ao menos, contar toda a verdade, para que fique para a História, e para que nomeadamente os portugueses possam dela ter pleno conhecimento.
Não quero, por ultimo, deixar de agradecer à minha mãe, à minha mulher Elza Simões, que ao longo destes mais de 35 anos, tanto nos bons como nos maus monmentos, sempre esteve a meu lado, suportando de forma extraordinária, todas as dificuldades, ausências, e faltas de didicaçâo à familia que a minha profissão impliava.
Só uma grande mulher e um grande amor a mim tornaram possível este comportamento.
Quero também agradecer à minha filha Eliana, que sempre soube aceitar as consequêncais que para si representavam a minha vida profissional, nunca tendo deixado de ser carinhosa comigo.
Finalmente quero agradecer à minha mãe que, ao longo de toda a minha vida me acarinhou e encorajou, apesar de nem sempre concordar com as minhas opções de vida.
A natureza da sua ajuda e apoio, tiveram para mim uma importância excepcional, sem, as quais não teria conseguido prosseguir, em muitos momentos da minha vida.
Posso assim afirmar que tive sempre o apoio de uma família excepcional, que foi para mim decisiva nos bons e maus momentos da minha vida.
Lisboa, 26 de Março de 2012
Fernando Farinha Simões
B.I. n.º 7540306"

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 7

Continuação...

"Nestes documentos era referido que, como consequência desta vendas de armas, gerava-se um fluxo considerável de dinheiro, a partir destas exportações, legais e ilegais.
Estes documentos referiam também a quem eram vendidas estas armas, sobretudo a países em guerra, ou ligados ao terrorismo internacional.
Era também referido que todas estas vendas de armas eram feitas com a conivência da autoridade da época, nomeadamente militares como o General Costa Gomes, o General Rosa Coutinho (venda de armas a Angola) e o próprio Major Otelo Saraiva de Carvalho (venda de armas a Moçambique).
Vi várias vezes o nome de Rosa Coutinho nestes documentos, que nas vendas de armas para Angola utilizava como intermediário o general reformado angolano, José Pedro Castro, bastante ligado ao MPLA, que hoje dispõe de uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões de USD, e que dividia o seu tempo entre Angola, Portugal e Paris.
O seu filho, Bruno Castro é director adjunto do Banco BIC em Angola.
No referido dossier estavam também referidos outros militares envolvidos neste negócio de armas, nomeadamente o Capitão Dinis de Almeida, o Coronel Corvacho, o Varela Gomes e Carlos Fabião.
Todas estas pessoas obtinham lucros fabulosos com estes negócios, muitas vezes mesmo antes do 25 de Abril de 1974 e até 1980.
Era referido que estas pessoas, nomeadamente militares, que ajudavam nesta venda de armas, beneficiavam através de comissões que recebiam.
Estavam referidos neste Dossier os nomes de "off-shores", que eram usadas para pagar comissões às pessoas atrás referidas e a outros estrangeiros, por Oliver North ou por outros enviados da CIA.
Estas "off-shores" detinham contas bancárias, sempre numeradas.
Esta referência batia certo com o que Oliver North sempre me contou, de que o negócio das armas se proporciona através de "off-shores" e bancos controlados para a lavagem de dinheiro.
Vale a pena a este respeito referir que no negócio das armas, empresas do sector das obras públicas aparecem frequentemente associadas, como a Haliburton, a Carlyle, ou a Blackwater (empresa de armas, construção e mercenários), entre outras.
Esta relação está referida, há anos, em vários relatórios, nomeadamente nos relatórios do Bribe Payer Index (indice internacional dos pagadores de subornos), que é uma agencia americana.
A indicação deste tipo de práticas foi desenvolvida mais tarde, pela Transparency International e pelo Comité Norte Americanos de Coordenação e Promoção do Comercio do Senado Americano, que referem que há muitos anos, mais de 50% do negócio e comercio de armas em Portugal, é feito através de subornos.
Os americanos sempre usaram Portugal para o tráfico de armas, fazendo também funcionar a Base das Lajes, nos Açores, para este efeito, nomeadamente depois de 1973, aquando da guerra do Yom Kippur, entre Israel e os países árabes.
Este tráfico de armas deu origem a várias contrapartidas financeiras, nomeadamente através da FLAD, que foi usada pela CIA para este efeito.
A FLAD recebeu diversos fundos específicos para a requalificação de recursos humanos.
Não ví contudo neste Dossier observações referindo que estas vendas de armas eram condenáveis ou que tinham efeitos negativos.
Havia contudo uma pequena nota, em que algumas folhas de que se devia tomar cuidade com tudo o que aí estava escrito, e que portanto se devia actuar.
Havia também na primeira página um carimbo que dizia "confidentical and restricted".
Estas vendas de armas continuaram contudo depois de 1980.
Tanto quanto eu sei, estas vendas de armas continuaram a ser realizadas até 2004, embora com um abrandamento importante a partir de 1984, a partir do escandalo das fardas vendidas à Polónia.
No referido Dossier estavam também referidas personalidades americanas envolvidas no negócio de armas, nomeadamente Bush (Pai), Dick Cheney, Frank Carlucci, Donald Gregg, vários militares, bem como a empresas como a Blackwater.
São ainda referidas empresas ligadas aos EUA, como a Carlyle, Haliburton, Black Eagle Enterprise, etc, que estavam a usar Portugal para os seus fins, tanto pela passagem de armas através de portos portugueses, como pelo fornecimento de armas a partir de empresas portuguesas.
Tirei apontamentos desses documentos, que ainda hoje tenho em meu poder.
A empresa atrás referida, denominada "Supermarket", foi criada em Portugal em 1978, e operava através da Empresa-Mãe, de nome "Black-Eagle", dirigida por William Casey, membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations), ex-embaixador dos EUA nas Honduras e também com ligações à CIA.
A empresa "Supermarket" organizava a compra de armas de fabrico soviético, através de Portugal, bem como a compra de armas e munições portuguesas, referidas anteriormente, com toda a cumplicidade de Oliver North.
Estas armas iam para entrepostos nas Honduras, antes de serem enviadas para os seus destinos finais.
Oliver North pagou muitas facturas destas compras em Portugal, através de uma empresa chamada Gretsh World, que servia de fachada à "Supermarket".
Mais tarde, cerca de 1985, quando se começou a falar muito de Camarate, Oliver North cancelou a operação "Supermarket" e fechou todas as contas bancárias.
Devo ainda referir que William Hasselberg e outros americanos da embaixada dos EUA, em Lisboa, comentaram comigo, várias vezes o que estava escrito neste Dossier.
Relativamente a Hasselberg isso era lógico, pois foi ele que me deu o Dossier a ler.
Posteriormente comentei também o que estava escrito neste Dossier com Frank Carlucci, que obviamente já tinha conhecimento da informação nele contida.
Tanto William Hasselberg, como membro da CIA, como outros elementos da CIA atrás referidos e outros, comentaram várias vezes comigo o envolvimento da CIA na operação de Camarate e neste negócio de armas.
Lembro-me nomeadamente que quando alguém da CIA, me apresentava a outro elemento da Cia, dizia frequentemente "this is the portuguese guy, the one from Camarate, the case in Portugal with the plane!".
As vendas de armas, a partir e através de portugal, foram realizadas ao longo desses anos, pois era do interesse politico dos EUA.
A CIA organizou e implementou estas vendas de armas em Portugal, à semelhança do que sucedeu noutros países, pois era crucial para os EUA que certas armas chegassem aos países referidos, de forma não oficial, tendo para isso utilizados militares e empresários Portugueses, que acabaram também por beneficiar dessas vendas.
Como anteriormente referi, William Casei e Oliver North estavam, nas décadas de 70 e 80 conluiados com o presidente Manuel Noriega, no escandalo Irão - contras (Irangate).
Foi sempre Oliver North que se ocupou da questão dos reféns americanos no Irão, bem como da situação da America Central.
Recebeu pessoalmente por isso uma carta de agradecimentos de George Bush Pai, Vice Presidente à época de Ronald Reagan.
Devo dizer a este respeiro que John Bush, filho de Bush Pai, então com 35 anos, a viver na Flórida, pertencia em 1979 e 1980 ao “Condado de Dade", que era e é uma organização republicana, situada em South Florida, destinada a angariar fundos para as campanhas eleitorais republicanas.
John Bush era um dos organizadores de apoios financeiros para os "contra" da Nicarágua.
Conheci também Monzer Al Kasser um grande traficante de armas que tinha uma casa em Puerto Banus em Marbella, e que me foi apresentado, em Paris, por Oliver North, em 1979.
Era um dos grandes vendedores de armas para os “Contra” na Nicarágua, trabalhando simultaneamente para os serviços secretos sírios, búlgaros e polacos.
Na sua casa em Marbella, referiu-me também que, por vezes, o tráfico de armas era feito através de África, para que no Iraque não se apercebessem da sua proveniência, pois também vendiam ao mesmo tempo ao Irão e mesmo a Portugal.
Este tráfico de armas, que estava em curso, desde há vários anos, em 1980, e no começo do caso Camarate.
Através de Al Kasser conheci, em Marbella, no final de 1981, outro famoso traficante de armas, numa festa em casa de Monzer, que se chamava Adrian Kashogi.
Kashogi, como pude testemunhar em sua casa, tinha relações com políticos e empresários europeus, árabes e africanos, por regra ligados ao tráfico de armas e drogas.
Sou preso em 1986, acusado de tráfico de drogas.
Esta prisão foi uma armadilha montada pela DEA, por elementos que nessa organização não gostavam de mim, por eu ter levado à detenção de alguns deles, como referi anteriormente.
Fui então levado para a prisão de Sintra."
Continua...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 6

Continuação...

"Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro.
José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele.
Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua GomesFreire, na PJ, para falar com ele.
Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia.
Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em camarate.
José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa.
A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião.
Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.
Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa.
Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuidos às Brigadas Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba (esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter "sensacionalismo" á época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25.
Não falei então com Victor Pereira Com camarate.
Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao Aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo Eng. Adelino Amaro da Costa.
Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas e de pessoas envolvidas com o Fundo de Defesa do Ultramar.
Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ.
Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás deste atentado, nunca mais voltou a aparecer.
Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986.
Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.
Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire.
Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por cusa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queriamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate.
Eu não participo na reunião, fico à porta.
Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer.
Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate.
Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.
*** A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do ediflcio da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro.***
No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria Pinto Balsemão.
É importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.
Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em l980.
Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa,quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.
Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas como tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal.
Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos.
Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal.
Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas.
Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografá-lo ou copiá-lo.
Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos.
Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses.
Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrículas e para a construção civil.
Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, em El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.
Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de paises de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc.
Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita atraves da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").
Nos referidos documentos ví também que as vendas de armas eram legais através de empresas portuguesas, mas também havia vendas de armas ilegais feitas por empresas de fachada, com a lavagem de dinheiro em bancos suíços e "off-shores" em nome dos detentores das contas, tanto pessoas civis como militares.
As vendas ilegais de armas ocorriam por várias razões, nomeadamente:
*Em primeiro lugar muitos dos paises de destino, tinham oficialmente sanções e embargos de armas.
* Em segundo lugar os EUA não queriam oficialmente apoiar ou vender armas a certos países, nomeadamente aos contra da Nicarágua, ou ao Irão e ao Iraque, a quem vendiam armas ao mesmo tempo, e sem conhecimento de ambos.
* Em terceiro lugar a venda de armas ilegal é a mais rentável e foge aos impostos.
* Em quarto lugar a venda de armas ilegal permite o branqueamento de capitais, que depois podiam ser aproveitados para outros fins.
Entre os nomes que vi referidos nestes documentos figuravam:
- José Avelino Avelar
- Coronel Vinhas
- General Diogo Neto
- Major Canto e Castro
- Empresário Zoio
- General Pezarat Correia
- General Franco Charais
- General Costa Gomes
- Major Lencastre Bernardo
- Coronel Robocho Vaz
- Francisco Pinto Balsemão
Francisco Balsemão e Lencastre Bernardo eram referidos como elementos de ligação ao grupo Bildeberg e a Henry Kissinger, Francisco Balsemão pertence também à loja maçónica "Pilgrim", que é anglo-saxónica, e dependente do grupo Bildeberg.
Lencastre Bernardo tinha também assinalado a sua ligação a alguns serviços de inteligência, visto ele ser, nos anos 80, o coordenador na PJ e na Polícia Judiciária Militar.
Entre as empresas Portuguesas que realizavam as vendas de armas atrás referidas, entre os anos 1974 e 1980, estavam referidas neste Dossier:
- Fundição de Oeiras (morteiros, obuses e granadas)
- Cometna (engenhos explosivos e bombas)
- OGMA (Oficinas Gerais Militares de Fardamento e OGFE (Oficinas de Fardamento do Exercito)
- Browning Viana S.A.
- A. Paukner Lda, que existe desde 1966
- Explosivos da trafaria
- SPEL (Explosivos)
- INDEP (armamento ligeiro e monições)
- Montagrex Lda, que actuava desde 1977, com Canto e Castro e António José Avelar.
Só foi contudo oficialmente constituida em 1984, deixando, nessa altura, Canto e Castro de fora, para não o comprometer com a operação de Camarate.
A Montagrex Lda operava no Campo Pequeno, e era liderada por António Avelar que era o braço direito de Canto e Castro e também sócio dessa empresa.
O escritório dessa empresa no Campo Pequeno é um autentico “bunker", com portas blindadas, sensores, alarmes, códigos nas portas, etc.
Canto e Castro e António Avelar são também sócios da empresa inglesa BAE - Systems, sediada no Reino Unido.
Esta empresa vende sistemas de defesa, artilharia, mísseis, munições, armas submarinas, minas e sobretudo sistemas de defesa anti-mísseis para barcos.
Todos estes negócios eram feitos, na sua maior parte, por ajuste directo, através de brokers - intermediarios, que recebiam as suas comissões, pagas por oficiais do Exército, Marinha, Aeronáutica, etc."
Continua...

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 5

Continuação...

"Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado.
É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton.
Nesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião.
Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro.
Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião.
Penaguião afirma, de forma fria e directa que Sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada!"
Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do tráfico de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas.
Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.
Fico muito nervoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado.
Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutada.
No final do jantar, juntam-se a nós três o Gen. Diogo Neto e o Cor. Vinhas.
Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi.
Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo.
Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA.
Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS.
Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo.
Isto e a usual “realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.
Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José Esteves e Carlos Miranda
Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José Esteves.

Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado.
Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o atentado será a 3 ou 4 de Dezembro.
Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa.
No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante " O Polícia".
No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim.
Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto.
Conduzo José Esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.
Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido.
Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim.
Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto.
Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.
Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução.
Ouvimos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião."
Continua...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 4

Continuação...
"Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis.
Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo.
Referem que contam comigo para esta operação.
O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.
Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses.
Perguntam-me se já recrutei a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo.
Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário.
Quem paga a operação e a preparação do atentado é a CIA e o Major Canto e Castro.
Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época.
O sogro era de nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980.
Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa.
Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.
Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues (que na altura ainda não conhecia).
O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistância moçambicana, a Renamo.
Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.
Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North.
Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".
Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Sturgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa.
O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres.
Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.
Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele.
Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta.
Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station.
Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação.
Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama.
O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material.
Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.
O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada.
Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro.
Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante Galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa.
Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro.
Lee Rodrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo.
Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado.
Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola.
Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo intenção de me levantar.
Refiro que, através de Frank Carlucci, já estava a par de tudo.
Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.
Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina).
Vou e levo comigo José Esteves.
Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos.
Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção.
É referido também os cuidados que devem ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal.
A língua utilizada na reunião é o inglês.
José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho.
Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA.
Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil US Dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 US Dólares.
ee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.
Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na Mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe.
Lee Rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão.
A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues.
Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.
Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.
José Esteves prepara então na sua casa no Cacém, um engenho para o atentado.
Conta com a colaboração de outro operacional chamado Carlos Miranda, especialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal.
José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.
Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris.
No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa."
Continua...

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 3

Continuação...

"Entre 1975 e 1988, participei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc., etc.
Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas.
A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage.
Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, Richard Armitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci.
O Grupo Carlyle dedica-se à construcção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo, junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney.
O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano.
Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.
A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency.
O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.
Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador.
Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de William Casey.
Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank Carlucci.
Da DEA conheci Celerino Castilho e Mike Levine.
Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989.
Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado.
Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum.
Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas.
Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua.
Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaina, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas.
Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.
A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era proprietário Carlos Lheder Rivas.
Carlos Rivas era um dos chefes do Cartel de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio.
Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA.
Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o Colombus Trust.
Carlos rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19.
Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.
O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus".
Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.
Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá.
Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas.
Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA.
Noriega fazia também parte da operação "Black Eagle", dedicada ao tráfico de armas e de droga, que em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA.
Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega.
Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados.
Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso.
Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.
No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.
Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses.
Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias.
Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.
Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Miami, pois eles queriam ficar com 10 milhões de dólars e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga.
Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami.
Este chefe mandou-lhes então levantar um inquerito, tendo sido presos pela própria DEA.
A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em 1989, a conselho de Frank Carlucci.
O principal culpado da minha saida da CIA e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes.
John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas.
Após a minha saida da CIA, Frank carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994.
Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a Camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, através de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola.
Mantive contatos directos flequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre 1975 e 1982, de quem recebi instruções para varios trabalhos e operações.
Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone.
A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.
Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre porugueses e americanos.
Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos.
William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas.
Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee.
Neste ambito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran.
Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.
Das reuniões que tive com a embaixada americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA.
O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado.
Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo.
Da parte militar da CIA conheci o Coronel Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o Coronel Peter Bleckley.
O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador.
Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North, tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas.
Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá.
Neste último país contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que práticamente todos os embaixadores do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.
Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir.
Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.
Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez.
Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua.
Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.
Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Carlucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa.
Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA.
Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o Gen. Diogo Neto, o Cor. Vinhas, o Cor. Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas.
Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.
Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos.
Depois há um outro jantar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Cor. Oliver North, onde este diz claramentete que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar aguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas.
Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.
Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o Gen. Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio.
Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados.
Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições.
Restava portanto a via de um atentado."
Continua...

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 2

Continuação...
"Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido).
Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura.
Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido).
Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental.
Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell.
Falei então durante algum tempo com Philip Snell.
O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton.
Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. De Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA.
Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA.
Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan.
Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência.
Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações).
Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security (Sul Africana).
Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro.
Entre 1976 e 1977, durante cerca de um ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA.
Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel.
Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana.
O meu trabalho incluia recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc.
Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Secret Service, depois DONS e actualmete SASS.
Era pago em Portugal, recebendo cerca de USD 5.000 por mês.
Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas.
Actuei utilizando vários nomes diferente, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa.
Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo.
A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal.
Era a vivenda "Alpendrada".
A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA.
Contudo a partir de l978, passei a trabalhar como agente encoberto, no chamado "Office of Special Operations".
A que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA.
Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial" que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação.
Nessa circunstância tinhamos o discurso preparado para explicar o que estavamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.
Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA.
Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas contas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade.
Estes cartões eram emitidos no Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America.
Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos paises, nomeadamente pagando a informadores, politicos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency).
Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco azul, “em cash”, valores esses postos á disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas.
Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc.
Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750.000 e 1 milhão de USD.
Só o Sr. José António dos Santos Esteves recebeu 200.000 USD.
Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluiram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever."
Continua...

ASSASSINATO DE FRANCISCO SÁ CARNEIRO - CONFISSÃO DE FERNANDO FARINHA SIMÕES - Parte 1

Fiquei estupefacto ao ler o conteúdo da carta. Comparativamente com este relato, os filmes de polícias secretas parecem fotografias debotadas. O texto é extenso e publicarei por partes. Esta é a primeira.

"Assassinato do Primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, e o envolvimento dos americanos.

Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate.
No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judícial, poderia ser preso e condenado.
Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sígilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989.
Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.
Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995.
Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações.
Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar.
Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi.
Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria-geral da Republica.
Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado.
Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio.
Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro.
Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido.
Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.
Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos.
Estavamos ainda relativamente proximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação.
Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate.
Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas.
Naquela altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências.
Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.
Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação.
Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi.
A cobertura legal de Uta Gerveck é feita através do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi.
Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau.
O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA.
A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em 1976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.
Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi.
Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck.
0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi.
Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski.
Hans Jurgen Wischewski era o raponsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg.
Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80, de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental.
Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche."

terça-feira, 1 de maio de 2012

Consignação de 0,5% do seu IRS

É amplamente conhecido que se pode consignar 0,5% do IRS da nossa declaração fiscal para entidades de reconhecida utilidade pública que reúnam algumas condições exigidas pela administração tributária. São muitas as instituições que constam da lista e às vezes é bem difícil escolher entre tantas com objectivos tão meritórios. Permito-me sugerir a ASSOCIAÇÃO DE DIABETICOS DO CONCELHO DE OVAR com o NIPC 503567485 porque sei do meritório trabalho que desenvolvem, que abarca não apenas este concelho como o nome pode sugerir, mas uma vasta região adjacente.

Pingo Doce e a promoção de 50%

A comunicação social e as redes social fizeram eco da enorme afluência aos super e hiper Pingo Doce. A consequência foi potenciar o efeito e o que era uma enorme afluência transformou-se numa situação caótica. Filas intermináveis, conflitualidade entre clientes e/ou funcionários, prateleiras vazias e produtos abandonados, foram aspectos comuns em muitas lojas. Os sindicatos queixaram-se do desrespeito pelos direitos dos trabalhadores, o pequeno comércio queixa-se de deslealdade, os concorrentes ficaram às moscas e os clientes que conseguiram os produtos pretendidos a metado do preço aplaudem. Quem ganhou e quem perdeu? São contas difíceis de fazer e depende da racionalidade de cada agente económico. Alguns consumidores terão tido vantagem, especialmente se adquiriram os bens que precisavam para consumo de muito curto prazo. Mas admito que muitos outros terão adquirido muito mais do que necessitavam até para atingir o valor mínimo da compra para usufruirem do desconto, transferindo para as suas casas os stocks que de outra forma permaneceriam nos supermercados e por isso, o efeito financeiro pode até ter sido negativo para alguns que compraram o que não precisavam, só porque era barato. Para as outras superfícies comerciais foi claramente um dia mau, com poucos clientes e poucas vendas e principalmente o grupo Sonae, seguramente vai ter que reagir. Para o Estado, como o Iva é facturado no início de Maio, não vai ter repercussão nem na antecipação de receita nem no valor das vendas que se diluirá no resto do mês. É provável que tenha trabalho adicional na fiscalização pois não deverão faltar quixas de diferentes proveniências. Não me surpreenderia que alguns produtores participem nos descontos praticados, via rappel ou outro tipo de acordo comercial pelo que para eles a promoção será neutra ou negativa. A Jerónimo Martins terá sido sem dúvida a grande ganhadora e a escolha do dia da promoção, foi de mestre. Conhecendo minimamente o funcionamento do grupo, estou certo que terá sido tudo meticulosamente planeado, incluindo o nível dos stocks a disponibilizar (para não incorrer em perdas) e para esgotar todos os produtos próximo das datas de validade. O efeito de arrastamento em produtos de baixa rotação foi enorme, a avaliar pelas prateleiras despidas. A logílstica oleada, certamente reporá novos stocks e amanhã não restarão vestígios da barafunda de hoje. O valor médio por operação aumentou de forma incrível, pois o mínimo para ter o desconto era de 100€. A maximização da rentabilidade financeira e fiscal, foi assegurada pelo facto da promoção ser feita no primeiro dia do mês. Coloca os concorrentes sob pressão, com a vantagem de terem anunciado já outras operações promocionais e terem sido eles os pioneiros. Mas o mais importante de tudo para o grupo Jerónimo Martins detentora da cadeia Pingo Doce, foi a notoriedade alcançada com a publicidade gratuita. Não precisou de pagar publicidade na televisão, rádio ou internet, para que todos noticiassem com grande relevo, o impacto da promoção do Pingo Doce.

Nokia negoceia venda de unidade de luxo após revisão de "rating" para lixo

Nem a gigante finlandesa escapa aos ventos da crise e tenta agora alienar activos que não considera estratégicos, para reduzir endividamento e concentrar esforços de rentabilização no "core business".

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Banda Velha União Sanjoanense

No dia 21 de Abril a Banda Velha União Sanjoanense de São João de Loure, do Concelho de Albergaria-a-Velha, deu um magnífico concerto no auditório municipal Carlos Paredes em Vila Nova de Paiva. Curiosamente, fui lá encontrar um jovem músico vareiro que iniciou os seus estudos musicais na Sociedade Musical Boa União em Ovar e que escolheu a música como profissão. Parabéns aos dois municípios que apoiaram a iniciativa e sobretudo à Banda Velha União Sanjoanense que é presidida por uma jovem que é também saxofonista!

E as excepções continuam...


Filho de Fernando Negrão nomeado com 13 e 14º mês.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Portugueses ficam 273 euros mais pobres a cada mês

A dívida pública portuguesa aumentou quase seis mil milhões de euros em apenas dois meses. São 273,06 euros de aumento por mês a cargo de cada português.
In Diário Económico

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pequeno génio do Piano com apenas 6 anos!

video
Vídeo da entrevista de Jay Leno no programa Tonight Show da NBC a um rapaz de 6 anos que é um pequeno génio do piano e toca mais de 200 músicas de cor, sem partitura. Ele é filho de russos e mostra ao entrevistador, como dizer "Eu te amo", em
russo. Quando perguntado como começou a tocar, ele diz com naturalidade que ouvia CDs e reproduzia as notas. "Meus pais olharam na sala e viram que era eu... Eles não acreditaram."; "Meu pai é um bom pianista. Mas ele não tocava muito bem "Mary had a little lamb". E eu ensinei, ensinei, ensinei...e não funcionou..." rs rs rs. Numa das suas apresentações, ele tocou para 6.000 pessoas. "Eu não queria fazer aquele show, mas eu tive que fazê-lo." diz ele. Perguntado se gosta de rock, ele disse "No show de rock... Aerosmith... eu tive que andar no tapete vermelho...quando eu ouvi a música, corri para fora do prédio e voltei para o nosso hotel." rs rs rs. Quando o entrevistador o convida para tocar e pergunta se ele pode alcançar os pedais ele naturalmente responde: "Eu não preciso deles."
Ao apresentar-se ele toca 'The entertainer, de Scott Jopplin,a "Marcha Turca, de Mozart, o "Minueto, de Bach.. A última música que ele toca no programa " A Fuga do Tigre no Zoológico" foi composta por ele mesmo.
Estou a pensar recrutá-lo para a Banda!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

ANEDOTA UNIVERSAL: assenta bem em quase todos os Países do mundo!!!

Anedota deliciosa, recebida de uma amiga e que corre em vários Países.

Um sujeito vestindo uma camiseta escrito: "SOU POLÍTICO" entrou numa loja
de armas e perguntou para o vendedor:
--- Qual é o preço de um trinta e oito ?
-- Não estamos vendendo esse revolver!
--- Então, qual é o preço daquela pistola **9 milímetros** da vitrine ?
--- Também não está à venda !
--- E aquela escopeta calibre 12 da prateleira ?
--- Ela também não está à venda.
--- Tô achando que o senhor não quer vender nada pra mim por que sou
Político...
--- Pois é isso mesmo !
O político sai da loja espumando de raiva.
No dia seguinte ele vai procurar o advogado , conta a história para o
"doutor" e pede que ele tome alguma providência!!!
Tentando resolver o problema pacificamente, o advogado vai até a loja
e pergunta ao vendedor:
-- Bom dia, meu amigo. Eu gostaria de saber se você tem alguma coisa
contra Políticos?
-- Temos tudo o que o senhor precisar : revólveres, pistolas, metralhadoras,
bazucas e,se precisar, consigo granadas e lança-chamas...

Os candidatos a Juízes do Tribunal Constitucional

Hoje nova polémica a propósito dos candidatos do PS (Conde Rodrigues - ex-secretário de Estado da Justiça) e PSD (o advogado Paulo Saragoça da Matta) para o Tribunal Constitucional por alegadamente serem maçons do Grande Oriente Lusitano. Mas estranhamente ninguém falou do problema mais grave: é que o CDS indicou Fátima Mata Mouros para Juíz do Tribunal Constitucional. Imaginem o que poderá pensar a comunidade muçulmana em Portugal!

Quero lá saber !!!...

Extraordinário poema de uma funcionaria pública, pleno de acutilante actualidade e que bem podia ser uma ode do Carnaval de Ovar.

Quero lá saber
Da roubalheira e da corrupção.
Que o Djaló seja do Benfica … Ou da televisão.
Que não se consiga controlar a inflação.
Que haja cada vez mais desempregados.
Que dêem diplomas e cursos aldrabados.
Que me considerem reformado. Ou excedentário.
Que se financie cada vez mais a fundação do Mário.
Que se ilibe o Sócrates do processo.
Que não haja democracia de sucesso.
Que já não finja que namora a Câncio.
Que o BCE se livre do pirómano Constâncio.
Que roubem multibancos com retroescavadora.
Que o Nascimento corte processos à tesoura.
Que deixe de haver o feriado do 1º de Maio.
Que a tuberculose seja um tacho pró Sampaio.
Que em Bruxelas mamem muitos deputados.
Que o Guterres trate dos refugiados,
Que a nós nos deixou bem entalados.
Que vá a sessenta e me preguem uma multa.
Que amanhã ilibem os aldrabões da face oculta.
Que o Godinho pese a sucata sem tara,
Que pra compensar mande uns robalos ao Vara.
Que o buraco da Madeira sobre todo para mim,
Que a Merkl se borrife pró Jardim.
Que a corja dos deputados só se levante ao meio-dia.
Que indemnizem os pedófilos da Casa Pia,
Que não haja aumentos de salários, Nem concertação social,
Que os ministros e gestores ganhem muito e façam mal,
Que Guimarães se mantenha a capital!!!...
Que nas gasolineiras da cidade de Elvas,
Que só abasteça o condutor do Relvas.
Que na Assembleia estejam 230 cretinos.
Que nas autarquias hajam muitos Isaltinos.
Que o Álvaro por tu hei-de eu vir a tratar.
Que se lixe o que tira o doce do Gaspar.
Que o Zé seja montado quer por baixo quer por cima!!!
Que a justiça safe depressa o Duarte Lima.
Que o bancário Costa não volte prá prisão.
Que o Aníbal chegue ao fim do mês sem um tostão.
Que na Procuradoria continue o P. Monteiro,
Que prós aldrabões tem sido um gajo porreiro.
Que os offsores andem a lavar dinheiro.
Que o BPN tenha sido gamado pelo Loureiro.
Que no BPP prescrevam os processos do Rendeiro.
Que à CEE presida um ex-maoista manhoso,
Que agora é o democrata Zé Manel Barroso.
Tudo isto? Já nada pra mim tem de anormal.
Caraças! Só há uma com que não me conformo,
Que o Coelho me tenha lixado.
A ponte e as festas do Carnaval!!!?
Maria

A Espanha pôs-se a jeito e Portugal está a levar por tabela

Há semanas que vários responsáveis do Governo espanhol têm falado demais. Quando o Primeiro Ministro disse que não ia respeitar este ano o défice previsto, abriu a caixa de Pandora. O desequilíbrio das contas públicas espanholas e o gigantesco desemprego, estão a atirar a economia ao tapete. As medidas governamentais anunciadas parecem muito insuficientes para as correcções estruturais necessárias. O IBEX 35, principal índice da bolsa espanhola, já perdeu este ano 17,36%!!! A Espanha agoniza qual animal doente no deserto e os abutres lá no alto já fazem círculos em paciente espera. Mas os círculos dos abutres, cruzam também os céus de Portugal. O céu europeu continua negro e sobre a península ibérica, muito mais negro!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Não sei quantas almas tenho

Um poema, do genial Fernando Pessoa.

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Um fato à medida?

In Jornal de Negócios. O destaque a bold é da minha responsabilidade.
"Os pensionistas da banca que foram integrados na Caixa Geral de Aposentações vão poder acumular o valor da reforma com um salário no Estado. Esta excepção à regra é consagrada numa proposta de alteração ao Orçamento Rectificativo, do PSD e do CDS, que argumentam que o objectivo é “salvaguardar as expectativas legítimas dos aposentados beneficiários dos fundos de pensões”.

Os dois partidos dizem ainda que, com esta solução o Estado poderá ainda "beneficiar da prestação da actividade de aposentados daquele universo sempre que o interesse público o justifique".

Estes pensionistas já tinham sido isentados dos cortes de subsídios de férias e Natal."

Mário Soares e Juan Carlos: descubra as 7 semelhanças

1- Ambos têm uma atitude majestática;
2- Agem como se estivessem acima das leis que juraram cumprir;
3- Proclamam (proclamaram)a austeridade mas exibem opolência e ostentação com os dinheiros que são públicos;
4- Cometeram recentemente (e no passado), actos de grande irresponsabilidade, que escandalizam a opinião pública;
5- Desdobram-se em justificações e desmentidos, tentando recuperar a degradada imagem;
6- Defendem belos princípios, mas excluem-nos das suas práticas;
7- Têm como lema "olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço!"

Brisa, advogados e Bancos: o que têm em comum?

A OPA à Brisa teve a assessoria do escritório de advogados PLMJ, líder em Portugal e que entre os inúmeros associados conta com José Miguel Júdice e Nuno Morais Sarmento (ambos especialistas em arbitragem e contencioso) e com o apoio financeiro principal do BES e BCP (a CGD também, mas com menor envolvimento).

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Quem manda em Portugal?

No mês passado um dos mais ilustres políticos portugueses, proferiu uma intervenção a que assisti e onde a certa altura afirmou que as grandes decisões em Portugal eram tomadas pelos dois maiores partidos portugueses, por dois bancos e por dois escritórios de advogados de Lisboa. E ele sabia do que falava!

Advogados e deputados


Este texto é de Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados e foi publicado no JN em 25 de Julho de 2011. Goste-se ou não do seu estilo truculento, ninguém fica indiferente às críticas contundentes. O texto é um pouco longo, mas vale a pena ler, para se perceber melhor porque é que o País chegou ao caos.

"Sempre que defendo a incompatibilidade entre a função (soberana) de deputado e a actividade (privada) de advogado, logo surgem a atacar-me advogados que não querem alterar a situação existente, nem sequer que se fale nisso publicamente. José Miguel Júdice, Manuel Magalhães Silva e, mais recentemente, Paulo Rangel, são alguns dos que mais se destacaram nesses ataques. Todos têm em comum o facto de repetirem, quais discos riscados, os mesmos epítetos (simplista, "populista" e "demagógico"), mas também a circunstância de serem sócios de grandes escritórios de Lisboa que, obviamente, têm muito interesse em terem advogados deputados na Assembleia da República (AR).

É inadmissível que numa República democrática haja titulares de um órgão de soberania, como é o Parlamento, que ao mesmo tempo representem profissionalmente entidades privadas interessadas no conteúdo das leis elaboradas nesse órgão. É de meridiana evidência que quem participa na elaboração de leis na AR não deve participar na sua aplicação nos tribunais, patrocinando partes interessadas nessas leis. Não se pode confiar nas leis de um Parlamento cujos deputados têm clientes privados interessados nessas leis. Essa mistura degrada os princípios republicanos.

O sentido normativo de muitos diplomas legais é, muitas vezes, determinado mais pelo concreto interesse privado que se defende (às ocultas) do que pelo interesse público próprio de uma lei geral e abstracta. Há leis que são feitas à medida de certos interesses privados que ninguém identifica durante o processo legislativo, excepto, naturalmente, o deputado que patrocina, como advogado, esses interesses. Algumas leis vestem, como um fato à medida, em certos clientes de certos deputados.

O que se passou com as leis de amnistia chegou, em alguns casos, a constituir uma verdadeira ignomínia sobre o Parlamento, dada a forma como alguns deputados beneficiaram os seus clientes. Houve reduções de penas a crimes de pedofilia, em detrimento de outros bem menos graves e chegou-se mesmo ao ponto de a versão de uma dessas leis publicada no "Diário da República" ser diferente da versão publicada no "Diário da AR" por ter sido alterada à socapa já depois de aprovada em plenário.

Outro dos escândalos tem a ver com as prescrições, havendo centenas ou milhares de processos que prescreveram nas últimas décadas, devido, sobretudo, a alterações legislativas que favoreceram os clientes de vários deputados/advogados, mas que lançaram o caos nos tribunais.

Mas, o que se passa com as leis fiscais é o exemplo mais elucidativo dessa promiscuidade de haver pessoas a defender simultaneamente interesses públicos e privados incompatíveis entre si. Há milhares de milhões de euros em processos fiscais acumulados nos tribunais porque as leis fiscais tornaram-se num denso e confuso emaranhado normativo, cheio de alçapões só identificados por quem os concebeu. O resultado está à vista: o Estado não consegue cobrar impostos a quem os impugna judicialmente, pelo que o seu pagamento vai passar a ser negociado através de arbitragens em que o devedor pode nomear um dos juízes (árbitros). É a legalização da fuga (parcial) aos impostos para os grandes contribuintes, mas é também um convite ao alargamento da corrupção. Todos vão sair a ganhar, excepto, obviamente, o Estado que sairá sempre a perder.

A acumulação de funções públicas com actividades privadas gera um mundo à parte que propicia e dissimula os negócios em torno do Estado, dos seus órgãos centrais, regionais e locais, dos seus institutos e empresas, etc.. Muitas dezenas de políticos acumula(ra)m funções públicas (nomeadamente deputados) com actividades privadas (principalmente de advocacia). Entre eles, destacam-se António Almeida Santos (uma espécie de patriarca do mundo dos negócios público-privados), Manuel Dias Loureiro, Domingos Duarte Lima, Ricardo Rodrigues, Guilherme Silva, Vera Jardim e Paulo Rangel, entre muitos outros. Este último, que tanto tem berrado publicamente contra o PS, nunca teve divergências políticas com o dirigente socialista António Vitorino na grande sociedade de advogados de Lisboa de que ambos são sócios. Aí nunca sentiu qualquer claustrofobia democrática. Pelo contrário, parece que ambos se sentem lá muito bem oxigenados."

Brisa - os insondáveis mistérios!

A Abertis é a empresa líder espanhola em infraestruturas rodoviárias (para além de outras actividades). Esta empresa é a terceira maior accionista da Brisa. A holding de José de Mello, accionista principal da Brisa, lançou uma OPA - Oferta Pública de Aquisição à Brisa e alguns dias antes, a Abertis adquiriu em bolsa, 2.500.000 acções da Brisa. Realização de mais valias a muito curto prazo ou forçar a empresa de José de Mello à revisão do preço da OPA? Eu aposto na segunda hipótese. Claro que não houve informação privilegiada ou fuga de informação: foi apenas uma feliz coincidência. Para a espanhola Abertis, claro!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A ex-Ministra Maria de Lurdes Rodrigues devia ser internada em saúde mental!

Ontem a ex-Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues proferiu afirmações à comissão parlamentar de inquérito sobre a actuação da empresa pública Parque Escolar que me deixaram atónito. Só alguém com problemas muito graves de saúde mental poderia ter uma visão tão distorcida da realidade e do relatório do tribunal de Contas. Maria de Lurdes Rodrigues não deverá ser responsabilizada nem civil, nem criminalmente. Devia sim, ser considerada inimputável e internada compulsivamente em saúde mental!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Água - um verdadeiro negócio da China

A Ministra Assunção Cristas afirmou que para o sector das águas ser sustentável, o preço terá que subir. A Ministra explicou que a água em alta do Porto é paga a 0,34 cêntimos, em Lisboa a 0,43, e em Trás-os-Montes a 0,66 cêntimos, "e, ainda assim, para reflectir o custo teria de ser acima de um euro. É um desiquilíbrio muito grande". "Água em alta" designa os sistemas de captação, tratamento e abastecimento dos centros de distribuição. "Água em baixa" são os sistemas de distribuição ao consumidor final. Antes da concessão à ADRA, Ovar comprava cerca de 20% do seu consumo de água às "Aguas do Douro e Paiva e ás Águas do Carvoeiro, a preços idênticos ao Município do Porto. Os restantes 80% da água consumida eram provenientes de captações próprias cujo custo de produção oscilava entre um terço e metade daquele custo. Agora, o porquinho "Aguas de Portugal" vai acabar de engordar e quando estiver bem gordinho, há-de aparecer um "chinês" para o comprar. Desculpem o lapso. Não se vai vender a água. É uma concessão. Para uns 50 anos. Para português pagar em suaves mensalidades até os netos ficarem de olhos em bico.

sábado, 31 de março de 2012

Rui Rio critica fortemente a CGD

O Presidente da Cãmara do Porto Rui Rio foi contundente nas críticas à CGD por estar previsto financiar a Ofesta Pública de Aquisição que o grupo de José de Mello pretende efectuar à Brisa. Tem absoluta razão nas críticas que fez e a sua visão macroeconómica e da CGD enquanto instrumento de política financeira do Governo está correctíssima. Não faz sentido absolutamente nenhum que um banco de capitais totalmente públicos, num momento de elevadíssima restrição de concessão de crédito por escassez de liquidez, canalize dinheiro para uma operação de controlo accionista em detrimento de financiamento à economia produtiva. Bem sei que o risco é menor mas a razão de continuar a existir um banco público não é para financiar operações especulativas. Ainda bem que Rui Rio teve a coragem de o dizer!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Tubarões na bolsa portuguesa

É impressionante a sucessão de notícias sobre negócios envolvendo grandes empresas portuguesas cotadas em bolsa. Agora é o lançamento de uma OPA pela brasileira Camargo Corrêa (para onde foi Armando Vara) sobre a Cimpor. Américo Amorim e Isabel dos Santos, acordaram comprar a participação estratégica da italiana ENI na Galp. A holding da família de Belmiro de Azevedo reforça na Sonae Capital e Belmiro assume a presidência da comissão executiva da Sonae Indústria. Nem me surpreenderia tanto assim que surgisse também uma OPA à SONAE, estando ela a cotar próximo de mínimos históricos. Uma coisa é certa, os tubarões só entram assim quando o mercado está a capitular e a mostrar sinais de recuperação para breve. Passos Coelho tem motivos para estar satisfeito. Estes movimentos sinalisam a recuperação destas empresas lá para o final do ano. É provável que a economia portuguesa também.

Ainda a propósito da OPA à Brisa

É frequente os conselhos de administração agendarem para a Assembleia Geral uma autorização para a aquisição de acções próprias. Os argumentos são sempre os mesmos: gestão de tesouraria e defesa do título. Do ponto de vista teórico, argumentos defensáveis e transparentes. Na prática não é bem assim. P.e. no caso presente, como a Brisa detinha acções próprias (compradas em bolsa com o dinheiro do activo da empresa), a holding da família de José de Mello, não precisou de deter mais de 50% das acções da empresa para ter o controlo maioritário da mesma. Uma forma perfeitamente legal, de com o dinheiro da empresa (de todos os accionistas), assegurar o controlo maioritario em benefício próprio. Mas a ambição de apropriação da família José de Mello do potencial de valorização da Brisa é de facto impressionante: a escassez de crédito potenciu a descida das cotações para níveis quase irracionais (isto, se não tiver havido manipulação nos últimos meses com posições vendedoras em CFD e compradoras no mercado à vista o que deveria ser averiguado pela CMVM), o valor contabilístico da empresa é superior ao valor agora oferecido na OPA o que significaria que a empresa estaria a ser vendida numa óptica de liquidação e que as concessões ainda em vigor para as próximas décadas não gerariam valor acrescentado. Para quem gosta destas coisas da Bolsa, sugiro ainda uma análise comparada com a Cimpor, nos últimos 3 anos. Com o prémio de controlo total, o justo valor das acções da Brisa nesta data, deverá situar-se no intervalo 3,50-4,50€ por acção. Por baixo!

Brisa: os meandros sinuosos de uma OPA

Jose de Mello através da Tagus lançou uma oferta pública de compra das acções da Brisa ao preço de 2,66 por acção. A esse valor seria deduzido o que a Brisa vier a atribuir de dividendos cuja proposta aponta para 0,31 €, ou seja um valor líquido de 2,35€ por acção. Diz que não há espaço para rever a oferta. O MillenniumBCP que está envolvido na acção ainda ontem às 16h44 continuava a recomendar a compra de acções da Brisa com um preço alvo no final de 2012 de 3,15€. A Brisa está num processo litigioso com o Estado português reclamando avultadas indemnizações em várias concessões, sendo a mais problemática a do Douro Litoral. Na avaliação precedente, não estão contempladas a previsão do pagamento de quaisquer indemnizações do Estado à Brisa. O MillenniumBCP está agora impedido de emitir recomendações face ao seu envolvimento na operação o que fez público também ontem às 19h52 (o mesmo analista António Seladas). O mercado já deu resposta negativa a José de Mello. Hoje, durante toda a sessão, as acções da Brisa transaccionaram acima do valor da OPA. Se José de Mello as quiser comprar vai ter que rever a OPA e não creio que seja bem sucedida abaixo dos 3€ que aliás, já seria um preço excelente para José de Mello. As acções da Brisa tiveram perdas superiores a 60% em 2011 devido sobretudo aos problemas com a concessão da Douro Litoral. Mas para mim o mais relevante desta OPA, é que é um sinal de que o mercado accionista português está a bater no fundo e é a hora dos "tubarões" atacarem.

domingo, 25 de março de 2012

Equipas campeãs de tiro na Região Militar Norte em 1984


O desenvolvimento da internet e das redes sociais veio tornar possível reencontros improváveis e o acesso a informações que julgávamos perdidas. Foi assim, que no grupo do Facebook do Regimento de Artilharia da Serra do Pilar, acedi a várias fotos onde me encontro presente. Esta de 1984, regista a minha primeira participação no campeonato de tiro da Região Militar Norte. O meu mestre, o Primeiro Sargento Enfermeiro Teixeira, segura na taça que as duas equipas de tiro (pistola e carabina), acabavam de arrebatar para o Regimento de Artilharia da Serra do Pilar. Nunca antes tinha feito tiro de competição mas nesta estreia fiquei em segundo lugar da geral e nos 3 anos seguintes fui campeão de tiro na RMN. Em 1986 último ano em que participei nos campeonatos nacionais, fui campeão de tiro do Exército (carabina).